quinta-feira, 25 de junho de 2009

PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAPERUNA
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

GESTAR II – Língua Portuguesa
Marília Gouvêa de Medeiros Vargas
Coordenadora Pedagógica

TEXTOS COMPLEMENTARES:LEITURA ATIVA
Uma leitura completamente passiva não existe. A leitura, como atividade, exige de todo leitor, em maior ou menor grau, ações diversas. Na verdade a qualidade da leitura poderia ser medida pelo esforço aplicado pelo leitor em sua tentativa de apreensão do sentido do texto.Os olhos se movimentam sobre a superfície em que jazem inanimadas, mensagens textuais, prestes a serem despertada, “processadas” por uma mente [memória e imaginação] que deve permanecer sempre alerta.REGRA NÚMERO 1: Por isso, quanto mais ativa, definitivamente, melhor será a leitura.Por sua vez, os escritores devem procurar, na medida do possível, trabalhar o texto com o objetivo de evitar um esforço desnecessário de seus leitores na apreensão da mensagem a ser comunicada.O educador e filósofo americano Mortimer Adler em seu clássico How to read a book [Como ler um livro], explicando o processo de leitura, faz uma analogia interessante desta com o baseball:Ler e ouvir são considerados como a recepção de informação de alguém que está empenhado em fornecer ou enviar esta informação. O erro aqui é pensar que receber informação seja como receber um golpe de ar ou uma herança ou a decisão de um juiz no tribunal. Ao contrário, o leitor ou ouvinte esta muito mais próximo do apanhador no jogo de baseball…E se usássemos uma analogia esportiva mais apropriada à nossa cultura futebolística?O leitor, no jogo da leitura, estaria mais próximo a um goleiro: defender as bolas atiradas contra a sua meta trata-se de uma atividade tão ou mais importante do que chutar a gol ou trocar passes.Sobre goleiros e leitores…O atacante adversário será o “emissor da informação” no sentido em que é nele que se inicia o movimento da bola. O goleiro é um “receptor” à medida que seja nele que a trajetória percorrida pela bola deva terminar [de preferência antes da bola cruzar a linha do gol], realizando-se assim a jogada.A passividade do processo concentra-se apenas na bola, elemento inerte que é posto em movimento ou tem seu movimento acompanhado, processado e interrompido, enquanto os jogadores são ativos, movimentando-se para chutá-la, espalmá-la e segurá-la.O goleiro [como o leitor] ainda deve ter a habilidade de agarrar diversos tipos de bolas [textos]: rápidas, em curva, com efeito, colocadas, de “três dedos”…A sua posição privilegiada [há quem não a considere assim tão privilegiada] no campo de jogo lhe permite uma leitura verticalizada do movimento das peças e jogadas, da comunicação [que os jogadores adversários pretendem através de suas jogadas] da mensagem pretendida, cujo objetivo final será sempre o gol que lhes for facultado converter.Contudo, a forma como emitem a mensagem, como sua escrita se dá pela perspectiva de leitura que ao goleiro é permitida, e também a movimentação de outros jogadores, que tentarão interceptar a jogada, impedindo a sua conclusão, dificultarão ao goleiro uma leitura exata da jogada ao se interporem entre este e a bola, mas, ainda assim, seguem compondo a história do jogo.O conjunto formado por goleiro, companheiros de time, obrigados, por força das circunstâncias a executarem uma leitura coletiva, permitindo-lhes antecipar o esforço necessário para “agarrar” a mensagem, ou antes a intenção na execução da mensagem [pois esta, em futebol, sabemos é sempre a finalização em gol] fazem com que suas atividades “de leitura” não sejam em vão: são participantes efetivos da história, “leitores-personagens” desse jogo.REGRA NÚMERO 2: Uma leitura mais ativa torna-se possível quando os leitores conseguem integrar-se ao texto que leem, transformando-se em jogadores, personagens, criadores dessa história, como se olhassem por sobre o ombro do escritor enquanto este desenha seu enredo.Neste sentido, é importante frisar que emissor e receptor, os atacantes, os defensores e os goleiros, colaboram uns com os outros. A mesma colaboração deve-se esperar na relação semiótica escritor- leitor. Suas habilidades são convergentes e complementares.REGRA NÚMERO 3: Quanto mais ativos e conhecedores das táticas do jogo, melhor esses jogadores [escritores e leitores] desempenharão, colaborativamente, suas tarefas.No campo de jogo [e da vida], sabemos, terá influência o impacto e a precisão do chute aplicado à bola, adequando-os à distância de onde é desferido esse chute até a meta, a velocidade e a trajetória do movimento da esfera e, claro, o posicionamento do goleiro, dos jogadores a sua frente, prejudicando ou facilitando seu ângulo de visão etc.REGRA NÚMERO 4: Concentremo-nos, leitores e escritores, na bola e no texto, pois velocidade da bola importa [tanto quanto a precisão do chute], já que facilitará ou dificultará a ação do goleiro.REGRA NÚMERO 5 [OU PERGUNTA NÚMERO 1]:E a velocidade do texto colocado em movimento [ajustado, preciso] ajudaria o leitor no atingimento dos seus objetivos, ou seja, agarrar, absorver, apreender a mensagem que é passada no texto, aproveitando ao máximo seu processo de leitura?Ler e ouvir são considerados como a recepção de informação de alguém que está empenhado em fornecer ou enviar esta informação. O erro aqui é pensar que receber informação seja como receber um golpe de ar ou uma herança ou a decisão de um juiz no tribunal. Ao contrário, o leitor ou ouvinte está muito mais próximo do apanhador no jogo de baseball…E se usássemos uma analogia esportiva mais apropriada à nossa cultura futebolística? A tipografia cinéticaA TIPOGRAFIA CINÉTICA: A LEITURA EM MOVIMENTOA tipografia cinética é uma técnica ou arte de expressar um texto de forma animada.Comparada ao estudo da tipografia tradicional, de concepção estática, a tipografia cinética se concentra no entendimento da influência que o tempo pode ter na apresentação, expressão e entendimento do texto.A tipografia cinética demonstra a capacidade de adicionar conteúdo significativamente emotivo e expressivo ao texto, permitindo que algumas das qualidades normalmente encontradas no cinema e na palavra falada sejam adicionadas ao texto estático.Os tipos cinéticos têm sido amplamente usados no cinema, televisão e publicidade na internet. Pesquisas da psicologia da percepção sobre atenção, desempenho leitura, compreensão indicam que o tempo aplicado à apresentação do texto pode ter resultado eficaz na capturar e manipulação da atenção do telespectador e, em diversos casos, melhora o desempenho global de leitura, por torná-la um processo ainda mais ativo.Fonte de pesquisa: http://www.pontolit.com.br/blog/category/literatura/

terça-feira, 23 de junho de 2009

RELATÓRIO

GESTAR II

Falar do GESTAR II hoje se tornou mais fácil. Ele agora virou realidade em nosso Município.
Ao iniciar preferi antes de qualquer coisa fazer com que os Diretores das Unidades Escolares e Secretário Municipal de Educação tivessem um conhecimento mais profundo do Programa. Teria que conscientizá-los sobre determinadas questões como, por exemplo, especificar um horário para que os cursistas se distanciassem da sala de aula sem prejudicar a carga horária do aluno. Isso tudo aconteceu e virou fato.
Ao iniciar com os cursistas, nosso primeiro encontro foi fazer um estudo detalhado do Guia Geral. Para melhores entendimentos montei um slide com cada um dos tópicos referentes ao estudo. O importante foi que com este procedimento todos puderam discutir: opinando, tirando dúvidas e questionando com relação à trajetória que se iniciava naquele momento.
No próximo encontro, para que todas as dúvidas com relação aos PTs deixassem de existir, trabalhei com eles cada seção das Unidades 9 e 10 do TP3 e detalhamos cada Avançando na Prática.
A partir daí foram para a sala de aula e deram continuidades com os alunos o que eles já haviam visto e feito enquanto cursistas.
Conforme relatos e depoimentos apresentado nas oficinas pude perceber que o GESTAR II chegou para fazer a diferença. Segundo os professores cursistas o cansaço do decorrer do dia é superado assim que nos encontramos e colocamos as evidências da semana como troca de experiências entre escolas e turmas.
Tenho depoimentos afirmando que os alunos estão super empolgados com as novas aulas de Língua Portuguesa. Alunos que antes não participavam estão amando as aulas.
Uma das cursistas, no último encontro declarou que um determinado aluno nunca participava de nada, ficava em seu canto, não atrapalhava, mas também não se revelava em nenhuma das atividades propostas em sala de aula. Ela afirmou que quando estava aplicando uma das atividades do Avançando na Prática TP4, ele perguntou se podia também fazer. A professora, muito dinâmica, o convidou para além de realizar a atividade, ajudá-la a ministrá-las. Foi um sucesso, ela levou as atividades para serem compartilhadas e a dele, claro, em especial.
Dia 17/06 já termino o TP4. Tenho todas as evidências registradas em meu portfólio com fotografias dos trabalhos realizados nas oficinas em nas salas de aula com as crianças. Criei um Blog onde estou registrando todos os acontecimentos.
Endereço: http://www.educargestaritaperuna.blogspot.com/
São depoimentos como os que eu recebi é que nos jogam pra cima. Uma das cursistas me fez chorar, no bom sentido. Ela disse que eu estou conseguindo fazer do curso um momento de lazer. Depois de um corre-corre de uma escola para outra eu faço do GESTAR uma agradabilidade. Às quatro horas de oficina se tornam pequena que não dá vontade de ir embora. Todas as professoras a aplaudiram e concordaram com ela. Estou me sentindo muito feliz por saber que além de estar fazendo o que eu gosto, está sendo bem feito aos olhos das pessoas interessadas.
Enquanto formadora fico lisonjeada por ter conseguido transpor determinadas barreiras que a princípio me chocaram bastante. Para que um Programa como o GESTAR II gerasse frutos bem mais sadios, nossos governantes deveriam ter mais consciência do que realmente o seu município está participando.
Encontrei sérios problemas sim, hoje graças a Deus superados.

Itaperuna, 06 de junho de 2009.

Marília Gouvêa de Medeiros Vargas
Coordenadora Pedagógica

RELATÓRIO


GESTAR II

Falar do GESTAR II hoje se tornou mais fácil. Ele agora virou realidade em nosso Município.
Ao iniciar preferi antes de qualquer coisa fazer com que os Diretores das Unidades Escolares e Secretário Municipal de Educação tivessem um conhecimento mais profundo do Programa. Teria que conscientizá-los sobre determinadas questões como, por exemplo, especificar um horário para que os cursistas se distanciassem da sala de aula sem prejudicar a carga horária do aluno. Isso tudo aconteceu e virou fato.
Ao iniciar com os cursistas, nosso primeiro encontro foi fazer um estudo detalhado do Guia Geral. Para melhores entendimentos montei um slide com cada um dos tópicos referentes ao estudo. O importante foi que com este procedimento todos puderam discutir: opinando, tirando dúvidas e questionando com relação à trajetória que se iniciava naquele momento.
No próximo encontro, para que todas as dúvidas com relação aos PTs deixassem de existir, trabalhei com eles cada seção das Unidades 9 e 10 do TP3 e detalhamos cada Avançando na Prática.
A partir daí foram para a sala de aula e deram continuidades com os alunos o que eles já haviam visto e feito enquanto cursistas.
Conforme relatos e depoimentos apresentado nas oficinas pude perceber que o GESTAR II chegou para fazer a diferença. Segundo os professores cursistas o cansaço do decorrer do dia é superado assim que nos encontramos e colocamos as evidências da semana como troca de experiências entre escolas e turmas.
Tenho depoimentos afirmando que os alunos estão super empolgados com as novas aulas de Língua Portuguesa. Alunos que antes não participavam estão amando as aulas.
Uma das cursistas, no último encontro declarou que um determinado aluno nunca participava de nada, ficava em seu canto, não atrapalhava, mas também não se revelava em nenhuma das atividades propostas em sala de aula. Ela afirmou que quando estava aplicando uma das atividades do Avançando na Prática TP4, ele perguntou se podia também fazer. A professora, muito dinâmica, o convidou para além de realizar a atividade, ajudá-la a ministrá-las. Foi um sucesso, ela levou as atividades para serem compartilhadas e a dele, claro, em especial.
Dia 17/06 já termino o TP4. Tenho todas as evidências registradas em meu portfólio com fotografias dos trabalhos realizados nas oficinas em nas salas de aula com as crianças. Criei um Blog onde estou registrando todos os acontecimentos.
Endereço: www.educargestaritaperuna.blogspot.com
São depoimentos como os que eu recebi é que nos jogam pra cima. Uma das cursistas me fez chorar, no bom sentido. Ela disse que eu estou conseguindo fazer do curso um momento de lazer. Depois de um corre-corre de uma escola para outra eu faço do GESTAR uma agradabilidade. Às quatro horas de oficina se tornam pequena que não dá vontade de ir embora. Todas as professoras a aplaudiram e concordaram com ela. Estou me sentindo muito feliz por saber que além de estar fazendo o que eu gosto, está sendo bem feito aos olhos das pessoas interessadas.
Enquanto formadora fico lisonjeada por ter conseguido transpor determinadas barreiras que a princípio me chocaram bastante. Para que um Programa como o GESTAR II gerasse frutos bem mais sadios, nossos governantes municipais deveriam ter mais consciência do que realmente o seu município está participando. Particularmente tem secretários que não sabem nem o que é o GESTAR.
Encontrei sérios problemas sim, hoje graças a Deus superados.

Itaperuna, 06 de junho de 2009.

Marília Gouvêa de Medeiros Vargas
Coordenadora Pedagógica

Quem sou eu

Minha foto
Amiga, sincera, companheira. Amo a verdade. Detesto a falsidade, a hipocrisia. Sou super agitada, gosto de tudo pra ontem. Sou muito organizada. Amo a DEUS acima de qualquer situação.

AMO!

AMO!

Educar

Educar não é uma arte
Suely Regina Soares Santos

Educar, tanto do ponto de vista formal quanto do informal, e um processo cíclico que dá muito trabalho. Exige dedicação, paciência, conhecimento, doação e uma dose de boa vontade e amor quase inexplicável. Educar vai muito além dos muros da escola, onde o processo educativo acontece do ponto de vista pedagógico e social. Educa-se em casa, no clube, na igreja, junto aos familiares, no cotidiano, por meio de palavras e de exemplos. Educa-se para a vida, segundo os valores familiares estabelecidos por cada família e cada sociedade. Todos os adultos que educam, em geral, estão sempre bem-intencionados. A frase? Seja educado, meu filho? é constantemente repetida, mas nem sempre aplicamos os nossos discursos no cotidiano. Mesmo percebendo que as nossas posturas estão sendo fitadas pelo menor, como se fôssemos um espelho. Problemas e fatalidades ocorrem na escola, em casa, na rua, na vida. A medida que somos verdadeiros e valorizamos na dimensão certa cada acontecimento, estamos introduzindo crianças e jovens no mundo real, da razão e da emoção , de forma equilibrada. Estamos preparando cidadãos. E importante sempre orienta-los, fazê-los saber que nem tudo acontece como queremos e como planejamos. Deixá-los viver alguns acontecimentos desagradáveis vai fortalecê-los. Deixá-los participar (dentro de seus limites) das questões familiares, vai ajudá-los a aprender a superar desafios e dificuldades. Quem planta educação? Não se pode ter pressa, pois se trata de um processo lento cuja colheita será feita por gerações futuras. Educar não e arte, mas viver e uma arte.

EM NITERÓI

EM NITERÓI
GESTAR II - LÍNGUA PORTUGUESA

GESTAR II EM NITERÓI

GESTAR II EM NITERÓI
MARÍLIA

3º ENCONTRO DO GESTAR EM ITAPERUNA. " FALA SÉRIO NÉ! SÓ TEM FERA!"

3º ENCONTRO DO GESTAR EM ITAPERUNA.    " FALA SÉRIO NÉ! SÓ TEM FERA!"

PAUTA DE TRABALHO 2º ENCONTRO

ORIENTAÇÕES SOBRE O GUIA GERAL



PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAPERUNA
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

GESTAR II – Língua Portuguesa

Marília Gouvêa de Medeiros Vargas
Coordenadora Pedagógica




PAUTA DE TRABALHO


24/09/2009



Unidade 1 – O GESTAR II como Formação Continuada em Serviço.

Unidade 2 – A Proposta Pedagógica do GESTAR II.

Unidade 3 – A Implementação do GESTAR II.

Unidade 4 – O GESTAR II, as Expectativas de Mudanças e a Especificidade do Programa em cada Escola.

Unidade 5 – Procedimentos para a utilização dos cadernos de Atividades de Apoio à Aprendizagem do Aluno.

2º ENCONTRO GESTAR II EM ITAPERUNA

2º ENCONTRO GESTAR II EM ITAPERUNA
A TURMA HOJE ESTÁ BEM MAIOR!

VIAJANDO!

VIAJANDO!

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS - 2º ENCONTRO DO GESTAR

PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAPERUNA
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
GESTAR II –Língua Portuguesa
Marília Gouvêa de Medeiros Vargas
Coordenadora Pedagógica

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS: ALGUMAS REFLEXÕES
Zélia de Bastiani

Conviver em um ambiente onde a leitura tenha significação é fator desencadeante para a formação do leitor. Apesar de parecer óbvio, é comum ficar esquecido na escola, que se aprende a ler, lendo e aprende-se a escrever, escrevendo. A escola que tem a pretensão de formar leitores e produtores de textos precisa permitir, com mais freqüência, o exercício dessas atividades no espaço escolar. Então, a leitura e a escrita tornar-se-ão objetos de domínio do aluno.O aluno que não reconheça a funcionalidade da leitura e da escrita na escola poderá descobrir sua importância em outros espaços. O exercício da leitura pode nascer de uma necessidade de trabalho. Inúmeras atividades exigem leitura, compreensão de texto, capacidade de relacionar fatos. Porém, a leitura também é indispensável para que o indivíduo possa fazer escolhas, decidir, conhecer, participar efetivamente na sociedade letrada que a nossa sociedade produziu.Vale observar que cada texto é dirigido a um leitor específico e é para ele que deve estar adequado. Se a correção ortográfica é importante também deve-se considerar o padrão lingüístico baseado na eficiência da mensagem que o texto traduz. Percebe-se a abundância de oferta de textos que cumprem seu papel comunicativo sem carregar o rigor formal. Em 1985, Fernando Sabino, em entrevista a José Luiz da Veiga Mercer, citou exemplos de palavras que podem confundir, mesmo o escritor mais experiente. E cita vários exemplos para argumentar sua tese: “é xipófagos ou xifópagos?... E muxoxo, é com x ou com ch?” Muitas vezes, seria a palavra certa para transmitir a idéia que se quer, mas, como a palavra exige memória fotográfica, que se adquire através do uso contínuo, o escritor se vê obrigado a recorrer ao dicionário. Ou a mudar o conteúdo de seu texto preocupando-se com os acessórios (ortografia) e distorcendo a idéia principal. A confissão da insegurança diante da linguagem escrita não tira o mérito de um texto sedutor e prazeroso de Fernando Sabino.A linguagem oral e escrita, como criação cultural e humana, interfere no desenvolvimento cognitivo e nas relações sociais de cada indivíduo. Por isso, a linguagem ocupou parte importante das pesquisas de teóricos como Piaget e Vigotsky. Piaget investigou o desenvolvimento do pensamento e da linguagem infantil através de experiências que realizou, através das quais demonstrou que o pensamento infantil é diferente do pensamento adulto. Para Piaget, até os sete anos, é difícil separar a fantasia da invenção deliberada no pensamento infantil. O primeiro pensamento na criança é autístico (individualista), é a forma original, mais primitiva, e seus objetivos estão no subconsciente. O pensamento egocêntrico é o intermediário entre o autista e o pensamento dirigido. Para evoluir ao pensamento socializado, a criança deverá sofrer contínua pressão social. O pensamento dirigido, intencional, é a fala socializada, a criança tenta comunicar-se com os outros. Vigotsky ampliou a experiência de Piaget colocando situações problemas que interferem na atividade da criança. Dessa forma observou que “é legítimo pressupor que as interrupções no fluxo regular da aprendizagem constituem um estímulo importante para a fala egocêntrica”. Essa descoberta se ajusta às duas premissas a que Piaget se refere várias vezes em seu livro. Uma delas é a chamada lei da consciência, segundo a qual um obstáculo ou uma perturbação em uma atividade automática despertam naquele que a pratica, a consciência dessa atividade. A outra premissa é de que a fala é uma expressão desse processo de conscientização.Vigotsky registrou, através de sua experiência que “os dados obtidos sugerem fortemente a hipótese de que a fala egocêntrica é um estágio transitório na evolução da fala oral para a fala interior”. Diferente de Piaget que considerou a fala primitiva como essencialmente social, também global e multifuncional: “Numa certa idade, a fala social divide-se em fala egocêntrica e fala comunicativa... A fala egocêntrica emerge quando a criança transfere formas sociais e cooperativas de comportamento para a esfera das funções psíquicas interiores e funcionais”. (Vigotsky, 1993, 13).Após a aquisição da fala, pensamento e linguagem se articulam, formando o pensamento verbal, sendo o biológico reelaborado a partir do sócio-histórico. Isto é, a linguagem se modifica a partir dos estímulos, das interações sociais. Um aspecto muito importante a ser considerado é o papel da atividade da criança na evolução de seus processos mentais. A partir de ações intencionais é que a criança desenvolve sua inteligência e vai planejando a solução de problemas cada vez mais complexos.As relações entre linguagem e pensamento pesquisadas e sistematizadas por Vigotsky sinalizam muitas outras pesquisas na área da educação, como também orientam as práticas escolares. A linguagem é adquirida, basicamente nas relações sociais. Antes do primeiro ano de vida a criança começa a compreender e a relacionar símbolos aos objetos. A criança cresce sendo apresentada à linguagem cotidianamente, percebe que a linguagem oral e escrita fazem parte de um contexto significativo e começa a querer “dominar” a gramática. Esse desenvolvimento não precisa ser forçado e a criança entendendo a leitura e a escrita como práticas sociais propõe-se a falar, ler e escrever compreendendo as diferenças entre essas práticas. É importante lembrar que a linguagem não é privilégio deste ou daquele grupo social, faz parte da cultura humana. Assim como aprendeu a falar, qualquer criança aprenderá a escrever, se exposta à linguagem escrita, a menos que apresente grave patologia mental ou cognitiva. Crianças pequenas motivam-se facilmente para brincadeiras com a linguagem, como troca-letras, trava-línguas, rimas e parlendas; demonstram fascínio pelo papel e tentativas de escrever nomes de pessoas e objetos.Aos sete anos, com a obrigatoriedade da freqüência escolar, a criança domina uma linguagem oral expressiva e comunicativa. É através dessa fala que se comunica e percebe-se sujeito nas relações sociais. Nesse momento, a escola desconsidera completamente a variação dialetal do aluno e atem-se exclusivamente a linguagem padrão, transmitindo para a criança a mensagem de que ela não conhece a Língua Portuguesa. O educador Paulo Freire foi insistente ao pedir que se respeite o saber do aluno. Em entrevista à revista Presença Pedagógica (jan/96) fala sobre a linguagem e ideologia:...o menino ouve, em casa, o pai dizer ‘a gente chegamos’, ouve o pai dizer ‘menas’, a mãe dizer ‘menas’, e ele diz também. A vizinhança toda, que é uma classe social, diz ‘a gente fomos’. Mas quando ela escreve, na escola, ‘a gente fomos’, leva zero e um lápis vermelho embaixo, inibindo-o mais ainda. O aprendizado desse menino está sendo obstaculizado por um problema estritamente ideológico com o nome de gramática.
1-Para Freire, é importante compreender que:...o menino proletário, o menino camponês, tem que em primeiro lugar, assumir a legitimidade da sua linguagem... essa é a tarefa do educador... ele deve assumir a gramática que há por trás do próprio discurso. Não há discurso sem gramática. O que você não pode é exigir que um gramático burguês descubra a gramática do discurso do povo. Ele não vai descobrir nunca. Mas que há gramática no ‘a gente fomos’, há. É a mesma coisa que o inglês diz: ‘people are’ e não ‘people is’. Como fazer isso? É preciso que o professor sugira, concretamente, na prática docente, o respeito que tem pela linguagem do menino.
2-Na seqüência da entrevista, Freire complementa seu pensamento sonhando com uma maior aproximação entre o povo e os professores, uma formação menos elitizada para estes e, próximos do povo, os professores desafiariam os meninos proletários para que, depois de terem apreendido a função da linguagem, lutassem para aprender a sintaxe dominante, para melhor brigar contra o dominante. Reafirma a impossibilidade da formação de um educador sem uma excelente base de linguagem e de discurso.Quando o professor reconhece o discurso do aluno e, a partir do saber que ele já domina ajuda-o a construir o conhecimento da linguagem padrão, fica evidente a capacidade de apreender de todas as crianças. Assim, abandona-se a crença de que a dor e a fome são determinantes na aprendizagem de crianças de classe social mais carente. Se os pais são analfabetos, ou a criança não observa práticas de leitura em casa, é possível que as crianças não tenham internalizado a importância do ato de ler. É nesse caso que a escola precisa ser muito mais presente, precisa expor a criança à situações de leitura e escrita. É na escola que a criança que está socialmente excluída pode ser integrada à uma sociedade letrada que comunica-se cada vez mais através da linguagem escrita. A escola é o espaço onde a criança pode dominar a linguagem formal, compreender melhor as relações sociais e participar da construção de sua história.A partir do conhecimento prévio da criança e valorizando sua linguagem oral é possível transformá-la em linguagem padrão. Os alunos percebem que a linguagem é diferente, dependendo do grupo social e do momento. Quando saírem da escola, vão precisar da linguagem padrão para serem aceitos em empregos e em outros grupos. “Muitas vezes a sociedade avalia as pessoas por meio da linguagem. E é bom vocês dominarem essa linguagem não somente para obter uma boa avaliação mas, principalmente, para saberem se estão sendo justa ou injustamente avaliados”. (Franchi, 1985).Ao reconhecerem o significado social da linguagem e percebendo-se capazes de fazer uso da linguagem padrão, os alunos estarão estimulados para interagir com textos através de leitura e produção de textos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e linguística. São Paulo: Scipione, 1997.FRANCHI, Eglê. Como avaliar esse aluno que chegou na escola e fez uma redação. Martins Fontes, 1985.REVISTA PRESENÇA PEDAGÓGICA, jan/96.VIGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. Lisboa: Antídoto, 1979.


COMO É BOM VOAR...

COMO É BOM VOAR...
VOAR...VOAR...

PROCEDIMENTOS DE LEITURA

Todos lemos [...] para vislumbrar o que somos e onde estamos. Lemos para compreender, ou para começar a compreender. Não podemos deixar de ler. Ler, como respirar, é nossa função essencial.
MANGUEL, Alberto. Uma história de leitura. São Paulo. Companhia das Letras. 1997

1º PASSO:

IDENTIFICAR O TEMA DO TEXTO.
De que se trata o texto lido?Qual o seu foco principal, ou seja, o tema em torno do qual as informações se organizam. (Sugestão: analise o titulo do texto. Os títulos quase sempre antecipam, para o leitor, a questão tematizada no texto.)

2º PASSO:

ELABORAR UMA SÍNTESE DO TEXTO.
Selecione e organize as informações, argumentos e conclusões mais importantes do texto.Estabeleça critérios: o que é mais e menos importante? O que é informação principal e secundária?

3º PASSO: ORGANIZAR AS PRÓPRIAS IDEIAS COM RELAÇÃO AOS ELEMENTOS RELEVANTES.
Para organizar as informações presentes no texto, posicione-se sobre o que foi tematizado.Esse posicionamento decorre:a) na avaliação do que foi dito, com base nos critérios adotados ao elaborar a síntese;b) dos seus conhecimentos prévios sobre o tema.(sugestão:confronte os seus conhecimentos sobre o tema com as informações apresentadas no texto. concorda com elas? Discorda? Por quê?

4º PASSO: ESTABELECER RELAÇÕES ENTRE OS ELEMENTOS RELEVANTES E ENTRE ELES E OUTRAS INFORMAÇÕES DE QUE O LEITOR DISPONHA.
A tomada de posição sobre os elementos relevantes selecionados permite que você perceba como esses elementos se relacionam e como podem ser relacionados às informações que você já possui sobre o tema. (Sugestão: procure responder as seguintes perguntas sobre esses elementos).a) São complementares? Por quê?b) Opõem-se? Por quê?c) Subordinam-se? De que maneira?

5º PASSO: INTERPRETAR OS DADOS E FATOS APRESENTADOS.
Com base nas relações identificadas, você começa a construir um sentido seu para o texto. (Sugestão: procure responder à seguinte pergunta: que sentido faz o que eu acabei de ler?). Ou seja: consideradas todas as informações, argumentos e conclusões identificados, qual o sentido fundamental do texto?

6º PASSO: ELABORAR HIPÓTESES EXPLICATIVASPARA FUNDAMENTAR A ANÁLISE DO TEXTO.
Após determinar quais são as informações relevantes, estabelecer relações entre elas e interpreta-las, você pode procurar uma explicação para o conjunto de dados obtidos por meio da leitura.Ao construir hipóteses explicativas sobre o cenário delineado pelo texto, você vai além do que foi dito pelo autor e constroi um novo conhecimento a cerca da questão tematizada. (Sugestão: alguns textos já trazem hipóteses explicativas para os dados apresentados. Veja se você concorda com elas).

OLHA SÓ!

OLHA SÓ!